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" Conversas sem ferrolho !!!? ": Janeiro 2007 *
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-  Edição de 30 janeiro, 2007 -

 

« Amar um " filho " , sem ser pai ... »


Continuação. .

.......................................( VI Parte ) .

.....
Admirado , mas calmo , pois nada de mal tinha feito ... Chico viu dois militares da Guarda Nacional Republicana entrarem . Conhecia-os a ambos , pois há muitos anos cumpriam serviço na aldeia e não eram dos piores , contrariando a ideia vigente . Dando os bons dias com a respectiva continência , dirigiram-se de imediato para o local , onde Chico e Afonso estavam a trabalhar , iniciando o que aparentava ser mais velho , a palestra :
- Chico , o nosso cabo Rosa , pede para quando puderes , que te apresentes no posto , mas se fosse possível era melhor ser já . ( disse o guarda ) .
- Pode-se saber porquê , senhor guarda ? ( perguntou Chico , sabendo muito bem o porquê ) .
- Chico , a nossa missão , é vir aqui dar-te conhecimento das intenções do nosso cabo , mas tu deves saber muito bem o porquê ... ( disse o guarda que aparentava ser mais novo , sem se alongar nas explicações ) .
- Está bem , digam lá ao cabo que irei assim que poder , primeiro vou-me vestir de lavado e avisar a família . ( disse ele sem querer dar importância ao sucedido ) .
Afonso olhava para uns e para outros sem proferir uma única palavra , até que interveio :
- Posso acompanhar o meu primo Chico ao posto ? ( disse ele , de voz um pouco embargada ) .
- Acho que sim , não vejo impertinência nenhuma . ( disse o guarda mais velho ) .
Nesse mesmo instante , surgiu no alpendre a mãe de Chico , que ficou apavorada , quando viu os guardas ali no seu quintal . Perguntando de imediato o que se passava , ao que o guarda mais novo respondeu , que não era nada de grave , coisas sem importância , segundo ele . Entretanto os guardas saíram despedindo-se conforme mandava a lei , fechando o portão de seguida . A mãe de Chico desceu até junto dos dois , e começou com as perguntas , tendo chico explicado o que se estava a passar , enquanto a mãe e o primo ouviam atentamente e embasbacados com tudo o que Chico dizia.
A história do acontecimento , já correra a aldeia de lés a lés . Como é sabido nas aldeias pequenas as noticias correm como o vento , e esta também não era excepção .
Em casa de Custódio , onde se encontrava a Vera e a mãe , a noticia fora recebida com muita tristeza e angustia . Por aí também já havia passado a patrulha da Guarda , vinda de casa dos pais onde não encontraram ninguém , uma vizinha é que dissera onde se encontrava toda a família , tendo sido convocados para deslocação ao posto , conforme acontecera com Chico . Mas de Justino nem sinal .
Era onze da manhã , já se sentia o movimento na aldeia , e o tema de conversa , nos habituais pontos de encontro , era precisamente o acontecido nessa madrugada entre o Chico e o velho Justino . Pois nem um , no esboço dos seus comentários , estava pelo pai de Vera , todos conheciam bem o tipo de homem que ele era , inclusive ninguém gostava de trabalhar para ele , vindo na maior parte das vezes , gente de fora para efectuar os trabalhos nas fazendas . E nas vendas e adegas depois de beber uns copos , arranjava sempre problemas e zaragatas , em que os habitantes evitavam a próximidade dele . Sempre que ele entrava num dos estabelecimentos , os restantes anunciavam a saída . Por aqui pode-se ver na realidade , quem era aquele homem .
Todos se lembravam dos momentos em que Chico tivera de fugir , por ter sido apanhado por ele a cortejar a filha Vera , e as ameaças que então fizera ao pobre do rapaz . E as surras e os castigos que dera na coitada da rapariga . Tudo isto acontecera antes de Chico ir ás sortes . Chico apesar de tudo isto nunca deixara de amar a Vera , ela também nunca deixara de amar o Chico , mas fora obrigada a casar com outro , por imposição do pai .
Até o próprio filho o abandonara , saído de casa para casar com uma humilde rapariga lá da aldeia , e Justino nem sequer fora ao casamento .
Eram estas as conversas que rolavam pela aldeia a esta hora , de porta em porta , nas vendas , lá iam surgindo os comentários .
Entretanto , Custódio e a mãe , deslocaram-se ao posto da Guarda , para comparecer à chamada do cabo , adivinhando o teor da conversa , Custódio e a mãe lá foram , indo a dona Filomena num pranto de choro , já não suportava as atitudes do marido , com a bebida tornara-se num verdadeiro animal . Toda a vida fora um homem bastante difícil, mas desde a chegada da filha , e devido ao motivo , tinha-se tornado impossível de aturar .
Chegados ao posto , foram conduzidos de imediato ao cabo por um sentinela :
- Dona Filomena , Custódio façam favor de entrar , sentem-se . ( disse o cabo , enquanto ajeitava uns papeis em cima da secretária ) .
- Com a sua licença . ( disse Custódio , ajeitando a cadeira à mãe e sentando-se de seguida ) .
- Sabem porque razão aqui os chamei ? ( perguntou o cabo Rosa , em tom amistoso ) .
- Calculamos ... ( disse dona Filomena , com os olhos novamente alagados ) .
- Bem , infelizmente tive conhecimento , de mais devaneio de senhor seu marido , que poderia ter terminado numa tragédia , juntando esta situação , a mais algumas queixas de outros habitantes aqui da aldeia , o caso , está a começar a ficar muito difícil de lidar , tenho evitado intervir , mas agora tenho que o fazer . Não sabem por onde ele anda ? ( disse o cabo calmamente ) .
- Não senhor cabo , ele saiu de madrugada dizendo que ia à caça , e até agora nada sabemos dele . ( disse Custódio , triste e em forma de lamento ) .
- Quero pedir o seguinte , assim que ele chegue a casa , que venha aqui ao posto de imediato , senão terei de mandar uma patrulha lá para o trazerem , o que seria lamentável . ( continuou o agente da autoridade no mesmo tom ) .
- Pode ficar descansado , senhor cabo , eu próprio me encarrego de que isso aconteça . ( Disse Custódio , com amargura ) .
- Não fiquem a remoer o assunto , com isto quero ver se o ponho na linha ... Bem podem ir e a dona Filomena que se acalme ... ( disse o cabo Rosa despedindo-se ) .
- Obrigado senhor cabo . ( disseram mãe e filho ) .
Nesse momento , vinha Chico e o primo Afonso a chegar à porta do posto , encarando com Custódio e dona Filomena , que iam de saída ...

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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
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Moinante = A.J.S.B.
Continua brevemente ..

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-  Edição de 25 janeiro, 2007 -

 

« Amar um " filho " , sem ser pai ... »


Continuação. .

.......................................( V Parte ) .

.....
Justino , forçava a égua a tapar o caminho ao Chico . Cravava-lhe as esporas para a dominar nas suas intenções . Até ao momento , nem uma troca de palavras , simplesmente olhares ... Olhares de puro ódio , por parte do pai de Vera . O Chico olhava-o espantado pela atitude , até que não se conteve :
- Então , não sabe conduzir o animal ?? Ou precisa de alguma coisa ?? ( perguntou o Chico , começando a ficar com nervoso miudinho ) .
- Quem é que te disse que não sei conduzir a égua ? Até te conduzia a ti daqui para fora ... ( disse o velho Justino em tom ameaçador ) .
- Ora aí está uma coisa de que nunca terá prazer , deixe-me passar ... ( disse o Chico de forma mais alterada ) .
- Nunca fui com as tuas trombas , e se julgas que estou esquecido , enganas-te ... ( continuava o velho Justino com a brutalidade de sempre ) .
- Olhe , já somos dois , mas devia ver-se ao espelho , porque aqui na aldeia , nem do seu cheiro gostam . Quanto a mim , vejo que a opinião é diferente . Vossemecê tem sido um cão toda a vida , o que a sua família tem sofrido . ( dizia Chico , começando a perder as estribeiras , e aumentando o tom de voz ) .
- Devia-te ter abatido logo da primeira vez , em tentaste desencaminhar a minha Vera , cão ... ( dizia o Justino completamente fora de si , sintoma de malvadez , e ajudado pelo vinho ) .
- Talvez a sua filha tivesse melhor sorte , mas pode ficar descansado que nada quero dela , pode lá ficar com o marido que vossemecê lhe impingiu . E pelo que ouvi dizer , também é uma rés igual a si ... ( disse o Chico descontrolado pegando novamente no carro de mão ) .
A égua , estava inquieta com a discussão , começando a movimentar-se sem obedecer às rédeas .
O Chico , à primeira oportunidade passou , deixando atrás de si o velho Justino furioso .
Completamente desvairado , Justino pegou na caçadeira e apontou-a ás costas de Chico , que ainda mal tinha dado uma dúzia de passos . Para sorte de Chico , no preciso momento em que Justino premiu o gatilho , a égua inquieta , guinou desviando a mira , os chumbos passaram a palmos do corpo de Chico . O som do tiro ecoou por toda a aldeia , os pássaros nas arvores levantaram voo assustados , a vizinhança alertada com o tiro , sim , porque fora o som de um tiro , assomaram-se à porta a receio , tentando perceber o que se passava . O Chico estava pálido , sentira o silvar dos chumbos muito próximo de si , largou o carro de mão , cerrou os punhos de raiva , mas não olhou para trás .
Em breves momentos, as imagens da vida percorreram-lhe o cérebro , e decidiu em não ripostar . Pegou novamente no carro e avançou , como se nada tivesse acontecido .
O pai de Vera , caindo na realidade , e dando conta do erro que cometera , cravou novamente as esporas na coitada da égua , que galopou a toda a velocidade para fora da aldeia .
O Custódio , ainda em casa dos pais , sentado num cortiço conversando com a mãe , estremeceu ao ouvir o som do tiro . Decerto que tinha sido o pai , saíra à tão pouco tempo e o som vinha de tão próximo ... de um pulo pusera-se de pé , correndo de imediato para a rua , já na rua tomou caminho na direcção que o pai tomara . Correu até à praça , ali tentou perceber se algo de estranho se passava , mas não encontrou ninguém , a noite tinha sido de balho , e ainda estava tudo recolhido , deu uma volta pela praça , mas desistiu ... Se houvessem más noticias , logo se saberiam , pensou ele , e regressou para junto da mãe .
Quase a chegar a casa , Chico era interpolado pelos vizinhos , que iam perguntando o que tinha acontecido , mas reservado como era , nada foi adiantando , seguindo o seu caminho , pensando ainda na sorte que tivera .
Chegado a casa despejou os cântaros para dentro dos potes e voltou à bica como se nada tivesse acontecido . Chico cumpriu o ritual mais umas quantas vezes sem nada recear , tendo enchido todos os reservatórios de água , tal como a mãe lhe havia pedido .
A meio da manhã , como habitual aos domingos , Afonso foi para casa do primo , para continuarem a reparar a carroça velha que o pai de Chico deixara . Pelo caminho , quase a chegar à casa de Chico , uma vizinha contou-lhe o sucedido , tendo o primo Afonso ficado boquiaberto .
Afonso , quando chegou a casa do primo Chico , já ele andava de volta da carroça , com um vidro partido , raspava a tinta velha dos varais :
- Bom dia Chico , xissa que tu nem dormes , pá !! Isto foi promessa ou quê ?? ( disse-lhe Afonso , evitando começar a conversa pelo que tinha acabado de saber ) .
- Bom dia primo ... ( Cumprimentou o Chico , enquanto limpava o suor da testa ao lenço ) .
- Xi pá , grandes ganas ... ( continuava o primo )
- Isto é para ser feito , não é para se ir fazendo . ( dizia o Chico recomeçando a labuta ) .
Ao ouvirem a voz do primo , os irmãos mais novitos de Chico ( Maria João e Pedro ), vieram a correr para o quintal , eles adoravam o primo . E durante um bom pedaço de tempo , Afonso e os primos , brincaram numa alegre algazarra , às cavalitas , ao agarra-agarra indo-se esconder a trás do irmão , até que Chico rindo reclamou :
- Então o que é isto , não trabalham nem deixam trabalhar ?? Raspem-se já daqui ... Raspem-se daqui ... ( Dizia Chico com boa disposição , sem se lembrar do grave sucedido da manhã ) .
Entretanto , a mãe de Chico veio ao alpendre cumprimentar o sobrinho , já ele andava de volta dos trabalhos na carroça , devido á reclamação do primo :
- Bom dia sobrinho , que zaragata era esta ?
- Bom dia tia , era com os rapazes pequenos ... Eles gostam dum bocadinho de entretenga , e fiz-lhes o gosto ... ( disse Afonso à tia , dona Anacleta ) .
Quando as crianças e a tia entraram para dentro , Afonso enquanto trabalhava ,puxou a triste conversa :
- Então Chico , não queres contar o que se passou esta manhã cedo , na bica ??... ( perguntou o Afonso , procurando saber o que se tinha passado pela própria boca do primo ) .
Mas chico fechou-se em copas , tentando evitar a pergunta do primo . Nesse instante , batem ao portão do quintal ao que Chico respondeu :
- Vá entrando , está aberto !!! ( disse o Chico , desconhecendo por completo quem seria ) .
Quando entraram , Chico ficou bastante admirado ...
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
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Moinante = A.J.S.B.
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-  Edição de 21 janeiro, 2007 -

 

« Amar um " filho " , sem ser pai ... »

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Deixe o seu comentário ( tesoirada ) , ajude a melhorar .
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Continuação. .

................................( IV Parte ) .

..... Uma grande quantidade de foguetes e morteiros , anúnciavam a alvorada , Chico acorda em sobressalto , de um pulo salta da cama e fica sentado à beira , até que desperta por completo , esfregando as temporas volta à realidade , junto com um pensamento :
(- Pôrra até parecia a guerra do ultramar ... raios partam os foguetes ...)
Esfrega os olhos , e pega no relógio de bolso , que estava em cima da mesa de cabeceira , eram sete horas em ponto . Rodou a cabeça para um lado e para o outro , forçando os músculos do pescoço a esticarem , e a tensão foi aliviando aos poucos . Na divisão ao lado já se ouviam barulho de panelas e tachos a serem mexidos , a sua mãe já começara a labuta ...Vestiu as calças , calçou as botas e saiu do quarto em tronco nu , chegando à cozinha onde sua mãe já estava a fazer as sopas :
- Bom dia mãe ... ( disse ele ainda um pouco estremunhado )
- Bom dia filho ... não faças barulho porque os teus irmãos ainda dormem . Quando puderes tens de ir á bica buscar água , a que há já não chega para hoje ... Vá , o comer já está feito , come ... ( disse a mãe , dona Anacleta ) .
- Vou-me lavar primeiro . ( disse Chico ao mesmo tempo que saía para o alpendre ) .
Pegou no cântaro e encheu a bacia , lavou as mãos e o rosto , pegou na toalha e secou-se , nesse instante , a sua mente foi novamente assaltada pelo nome de Vera , avançou até à ponta do alpendre . Olhou a imensidão dos campos , uma ligeira brisa passou , ao longe a passarada iniciava os seus cânticos ... Chico encheu os pulmões de ar respirando fundo , de repente a sua mãe veio à porta :
- Chico , olha que o comer arrefece , despacha-te ... ( disse a sua mãe ) .
Sem nada dizer , chico encaminhou-se para dentro e tratou de se alimentar .
Enquanto Chico andava nos seus afazeres , Custódio desconfiado com o pai , também se levantara cedo e encaminhava-se para casa dos pais , quando encontrou a Dona Joana ( vizinha da frente , do lado da travessa ) , no caminho , já próximo de casa . Que o alertou sobre os movimentos do pai . Desistindo de ir pela porta da rua , dirigiu-se de imediato para a travessa , chegando rapidamente á porta do quintal , a porta estava entreaberta , e lá dentro sua mãe ( Dona Filomena ) , coitada , corria num correpio atrás do marido ... andava ele a colocar os arreios e a sela na égua , tendo anteriormente andado a preparar a espingarda que estava encostada à parede do corredor no interior da casa . Custódio entrou e deu os bons dias , o pai admirado com o madrugar do filho , insurgiu-se áspero adivinhando o que ele vinha fazer :
- Que é que estás aqui a fazer !! Não estavas bem a guardar a tua irmã ?... Vai para onde tens andado , porque não fazes cá falta nenhuma . ( disse-lhe o pai aos berros ) .
- Então pai , onde vai tão cedo ?... ( perguntou Custódio , ignorando por completo o que seu pai dizia ) .
- Não tens nada daí com isso . ( continuava o velho Justino , azedo como sempre ) .
- Ai filho , o teu pai esteve a beber toda a noite , ainda não se deitou ... esteve a limpar a espingarda e não diz a onde vai ... ( dizia a coitada da mulher ) .
- Não tenho que dar satisfações ... Vai lá para dentro fazer meia , desaparece ... ( continuava ele com enorme rudeza para a mulher , enquanto continuava os preparos ) .
- Ai que ainda acontece uma desgraça . ( lamentava-se a pobre mulher ) .
- Onde vai pai ? ( perguntou Custódio preocupado ) .
- Vou caçar ... onde querias que fosse de espingarda ?... à azeitona ... ( continuava Justino no mesmo tom ) .
Acabado de dizer isto , vai para dentro de casa buscar a espingarda , e no entretanto bebeu mais um copo . O filho preocupado , foi verificar o aperto dos arreios , não fosse haver um descuido por parte do pai .
A Dona Filomena rezava , pedindo a todos os santos perdão pelos actos do marido . Entretanto , o velho Justino volta de espingarda às costas e cartucheira à cintura , dirigindo-se ao canil , soltou o perdigueiro , sinal de que de facto a intenção era ir caça .
Este acto , descansou , mãe e filho . Sem conversa subiu para cima da montada a custo, ao que o filho o ajudou , saindo de seguida .
Custódio ficou de conversa com a mãe , tentando acalma-la .
Do outro lado da aldeia , ao mesmo tempo que tudo isto se passava , o Chico andava nos seus afazeres . Já tinha limpo as capoeiras das galinhas e dos coelhos , mudado a cama das duas ovelhas e regado os canteiros da salsa e dos coentros , e dera também de comer aos animais . Colocou os cântaros no carro de mão , e foi buscar água . Chegado à bica pôs os cântaros a encher , enquanto esperava , sacudiu as botas e lavou-as .De cântaros cheios , colocou-os no carro de mão e tomou o caminho de regresso a casa.
Mal tinha começado a andar , avistou Justino montado na égua , fingiu não o ver e avançou despreocupado . Justino ao avistar o Chico , cravou as esporas na égua apressando o passo , já muito próximo guinou a montada atravessando-a tapando assim a passagem ao Chico . Sem se exaltar , até porque Justino estava armado , como rápidamente se dera conta . O Chico estancou , pousou o carro no chão e olhou para Justino . Os olhos do homem , estavam vermelhos de raivada e bebida. Ficaram ali segundos a olharem-se nos olhos , segundos que pareceram uma eternidade . Os olhos de Justino quase que furavam o Chico de tanto ódio . Chico manteve-se sereno , esperando que o pai de Vera o deixa-se passar ... No entanto não pareceu que essa fosse a intensão de Justino ...

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Moinante = A.J.S.B.
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Quero , desde já agradecer , as muitas visitas que aqui têm feito e os comentários que têm efectuado . O meu muito obrigado . Voltem sempre .

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-  Edição de 18 janeiro, 2007 -

 

« Amar um " filho " , sem ser pai ... »

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Continuação. .

................................( III Parte ) .

..... Chico , ali chegou , para grande admiração de alguns presentes , que o cumprimentaram como se á anos não o vissem :
- Viva Chico , até que enfim sais da toca . ( disse-lhe o Manel , companheiro dos trabalhos do campo ) .
- Não há quem te veja , pá . ( disse Hipólito , um grande amigo , dos tempos de escola ) .
- Desde as " sortes " que não te punha a vista em cima . ( disse Firmino companheiro de outros tempos , os dois tinham ido juntos á inspecção militar [ as " sortes " como se dizia no Alentejo ] , e que tinha andado por fora ) .
Um a um foram-no cumprimentando ...
- Tenho tido de fazer , sabem como é , esta vida não é fácil . ( respondeu o Chico , olhando em redor , como se procurasse algo ou alguém ) .
Entretanto , um deles , puxou a conversa , de que tanto se falava na aldeia , e o sucedido em casa de Vera .
- É rapaz , foi cá um serrabulho , lá prós lados da rua dos Hortejos , ainda agora que só visto . Agora , está tudo mais calmo ... ( disse o Manel , sem pensar ) .
Mas o Chico estava atento e perguntou de rompante .
- Então , o que é que se passou ?
- Queres lá tu saber , a Vera do Justino voltou para casa dos pais parece que ... ( sem deixar acabar a frase , Hipólito apresentou-lhe uma valente pisadela , ao que Manel caiu em si . )
- Podes dizer Manel , já sei o que se passa . ( disse o Chico olhando na direcção de Hipólito , tendo este tentado disfarçar , mas em vão . )
- Diz lá Manel , o que é que se passou ? ( insistiu o Chico ) .
- Foi o velho Justino , armou grande zaragata , por causa do regresso da filha ... ( confessou o Firmino , tentando limpar os companheiros , e não adiantou mais nada ) .
Enquanto o Chico pensava , os companheiros olhavam-se entre si , como que á espera de uma reacção negativa , por parte do Chico .
No desenrolar desta conversa , chega Cecília e o marido , prima de Chico e irmã de Afonso , que por coincidência , moram a paredes meias com Custódio , irmão de Vera , e chama-o á parte .
- Chico , posso falar contigo ? ( perguntou ela )
- Sim prima . ( disse o Chico , ao mesmo tempo que se afastavam ligeiramente do grupo cumprimentavam-se ).
- O meu mano , já me disse que te contou o que se passa , a Vera está em casa do irmão ... como te vi aqui , o que não é hábito , calculei o que cá vens fazer . Mas , para já , acho que deves ser paciente , o assunto ainda está muito fresco ... deixa acalmar as coisas . ( disse-lhe a prima , tentando que ele pensa-se melhor na vida dele , sem cometer loucuras ) .
- Sabes como é o Justino . ( disse o marido da prima ) .
O cérebro de Chico não parava , mas a prima tinha razão , ainda estava tudo muito verde , não havia motivos para loucuras .
- Têm razão , talvez esteja a pôr as mãos pelos pés ... Mas , foi mais forte do que eu , agi sem pensar . Sabem o que sinto por ela , não o consigo esconder , nem me importo que esteja prenha . ( confessou o Chico aos primos , de cabeça mais assente , e arrematou ) .
- Não posso ser tão desmiolado ... obrigado por me terem chamado á razão ...
Enquanto isso a música continuava a tocar , os pares rodopiavam de alegria no centro do salão . O Chico por instantes admirou-os e suspirou ...
Vicêncio acabado de chegar , encontrou Chico encostado á ombreira , apreciando os que bailavam , dando-lhe uma pancada suave com a mão nas costas , convidou-o para um copo no bar , ao que ele acedeu . Já no bar , Vicêncio pediu um copo de vinho e o Chico uma cerveja , sem grande vontade para beber , até porque ele nunca fora homem de bebidas , mas como era dia de festa e tristezas não pagam dividas , lá foi bebericando a custo . Os músicos param para um intervalo e o bar começou a encher-se de gente . O Chico pouco habituado a estas coisas , começou a sentir-se apertado , e como estava muito calor , decidiu sair para a rua , onde estava um pouco mais fresco . Cá fora , na rua , deu de caras com Custódio ( Irmão de Vera ) , que esfumaçava um cigarro acabado de enrolar , ambos se olharam e por breves momentos hesitaram o cumprimento , mas Custódio avançou ( até porque não havia nenhuma complicação entre os dois ) :
- Viva Chico , cá por cima hoje !! ( disse irmão de Vera admirado ) .
-É verdade , já não sabia o que era um balho á anos , vim-me distrair um pouco ... ( disse o Chico ) .
Custódio um homem brando , e conhecedor das razões de Chico , tentou ler-lhe a mente , e não se enganou no seu juízo , sem hesitar , recomeçou dizendo :
- Foi melhor assim , Chico . Pode ser que as coisas mudem e tu tenhas finalmente a tua sorte .
- Estás a falar do quê ? ( perguntou o Chico tentando disfarçar , enquanto olhava para o fundo da rua , tentando evitar o olhar de Custódio ) .
- Não finjas , sabes bem do que falo , ou queres tu dizer-me que não sabes o que se passa . A aldeia toda já sabe ... ( insistiu o irmão de Vera ) .
- Sim , e depois ? ( dizia ele , fazendo-se desinteressado ) .
- Isso é conversa sem coração , e eu não acredito que já não gostes da minha irmã , até porque te conheço muito bem , além disso vê-se nos teus olhos ... ( continuava insistente o Custódio ) .
- Em certa parte tens razão , mas ... ( Chico lembrou-se da conversa que tivera momentos antes com a sua prima e não se quis adiantar ) , mas , nada se sabe do dia de amanhã , hoje aqui , amanhã ali ... ( dizia ele sem se querer manifestar muito ) .
- Concordo ... ( disse Custódio ) .
O relógio da torre da aldeia , começava a dar a meia-noite e para o Chico a noite já estava feita ,olhando as estrelas iniciou as despedidas :
- Bem , vou á deita que o sono já espreita , até amanhã Custódio . ( disse ele sem fazer qualquer referência á Vera , mas por dentro só Deus sabe como ele estava com vontade de mandar um recado , mas conteve-se ) .
- Até amanhã Chico ... ( disse Custódio dando-lhe uma palmada nas costas ) .
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-  Edição de 13 janeiro, 2007 -

 

« Amar um " filho " , sem ser pai ... »

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Continuação. .

................................( II Parte ) .

......Chegou a casa , entrando pelo lado do quintal , Chico feliz da vida , nem se lembrou do cansaço e do desgastante do dia de trabalho . A felicidade era tanta , que desatou a chamar pela mãe , causando-lhe um enorme susto , visto não ser habitual ele bradar daquela maneira :
- Mãe , mãe , chegue cá fora ( gritou ele eufórico ) .
- O que foi Chico !!!? À rapaz , qualquer dia matas-me do coração ... ( Disse-lhe a sua mãe , dona Anacleta ).
- Leve-me aqui o alforge e estes dois talegos para dentro e prepare-me aí a farpela de Domingo , que eu vou-me já lavar . Hoje vou ao balho ... ( disse ele com um tom , que não usava há bastante tempo ) .
.....Tamanha algazarra despertou o interesse da mãe e dos irmãos que vieram todos a correr ao alpendre , ver o que se passava ... :
- Beatriz , ajuda lá aqui , leva isto para dentro , cuidado que está uma garrafa de vinho aí no fundo , não se parta , pagou o patrão Américo . Vou-me lavar ... ( disse Chico ofegante e apressado , e continuou ) - O jantar já está feito ?
- Que bicho te mordeu homem , ou foi do sol , nunca te vi com tanta pressa ( respondeu a irmã , que tinha menos três anos que ele ) .
- Hoje vou ao balho . ( repetiu ele ) .
- Sim , já ouvimos , mas o balho é mais lá para a noite ... não vejo o porquê de tanta pressa !! Parece que foste picado por um alacrau !!( disse-lhe a irmã , enquanto lhe tirava as coisa das mãos ) .
- Trás-me a navalha e o pincel , para cortar a barba, se faz favor . ( pediu ele á sua irmã ) .
Durante a espera , acendeu outro candeeiro a petróleo para juntar ao que já estava aceso para se ver ao espelho ao barbear , pensando sempre na remota hipótese de ver a sua amada á noite , talvez com um pouco de sorte isso acontecesse .
......Enquanto Chico andava na sua labuta , em casa de Vera viviam-se momentos difíceis , pois o pai não se conformava com o acontecido , dizendo que a filha era culpada sobre o acontecido , porque nunca tentara amar o marido , tendo-o levado a fazer o que fez , e que na manhã seguinte iria a casa dos compadres pedir explicações , tirar tudo a pratos limpos . Justino , de seu nome sempre fora um homem de mau trato , e com um copo a mais era do pior. Berrava de tal forma e dava murros na mesa que se ouvia na rua . Despertando o interesse dos vizinhos , que comentavam o acontecido . Ás escondidas , a mãe de Vera , mandou chamar o filho Custódio , dois anos mais velho que Vera , e que saíra de casa pelos mesmos motivos , casando com uma rapariga humilde , contrariando assim as ganas do pai , mas como era homem o pai teve de engolir . Entretanto o filho chega a casa dos pais , ele sabia do regresso da irmã , mas ainda não tinha tido tempo de ir lá a casa , e depara-se com a discussão :
- ... já te disse , amanhã vou á dos compadres , isto tem de ser resolvido ...seja eu cão se assim não o fizer !!( dizia Justino , irado ) .
Sem cumprimentar ninguém , Custódio pegou no braço da irmã e levou-a para a rua , cá fora e sem perguntas , pediu a uma vizinha que a leva-se para casa dele :
- Dona Elvira , faça-me um grande favor , leve a minha irmã lá para minha casa ... ( disse ele entrando novamente em casa dos pais ) .
Aí a discussão foi rija , até que conseguiu acalmar o pai , a mãe desfazia-se num mar de pranto e desgosto pelo acontecido á filha e pelo marido que tinha ...
Em casa de Chico , ao inverso da dos pais de Vera , viviam-se momentos de alegria , por parte de Chico , desconhecendo ele , o que se passava em casa dos pais da sua amada .
Já aperaltado , tratou de encher a barriga , com os irmãos e mãe curiosos com tanta alegria :
- O que é que se passará , nunca o vi assim !!( dizia Filipe , um dos irmãos do meio ) .
- Aqui há gato , nunca vais ás festas , nunca sais de casa , temos caso !!!( dizia a irmã Beatriz ) .
A mãe olhava para ele desconfiada , mas ele nada dizia ...
Entretanto , João , irmão um ano mais novo que Beatriz disse :
- O primo Afonso esteve aqui á tua procura .
- Eu encontrei-o ao virar aqui para a travessa ... ( disse Chico sem se alongar ) .
- Ele não disse o que queria de ti . ( insistia o irmão ).
- São coisas cá nossas . ( dizia ele enquanto comia , sem dar mais conversa ) .
- Diz o que ele queria . ( continuava a insistir o irmão ).
- Já te disse , são coisas cá nossas , sem importância , coisas de trabalho . ( disse Chico , encerrando a questão ) .
Depois de uma bela janta , Chico dirigiu-se ao centro da aldeia , onde se encontra a " Casa do Povo " , local onde habitualmente se dá lugar aos bailes . Pouco passava das dez e meia da noite e já a Concertina e a Sanfona tocavam ... e foi nesse momento , que soube , o que se passara em casa de Vera ...
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .
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..Moinante = A.J.S.B.
Continua brevemente .

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-  Edição de 08 janeiro, 2007 -

 

« Amar um " filho " , sem ser pai ... »

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......A pedido de diversas pessoas amigas , inicio hoje aqui , a difícil tarefa de escrever textos como se fossem um livro . E porque não tenho formação académica , espero não desiludir ...
.Talvez seja um blog romance ...
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......................................( I Parte )..
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....................Verão de 1966 , sábado , 24 de Agosto ...
........................Algures na imensidão do Alentejo .
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......Chico ( órfão de pai , que morrera estava ele no ultramar ) , um jovem adulto , humilde e trabalhador , a quem a vida havia reservado as maiores angustias , chegava á aldeia , após mais um dia de duro trabalho no campo ... Era sábado , dia de festa na aldeia , mas para ele os dias eram todos iguais , com sete irmãos mais novos , tinha o dever de trabalhar , para ajudar a mãe , na difícil tarefa de os criar . Sem pensar em folgas ou descansos , lá vinha ele , de arriáta às costas , dando a impressão que ele próprio rebocava o burro cansado e a carroça carregada de pasto para os animais do patrão ... Depois de descarregar a carroça , de colocar o pasto nas manjedoiras e de levar o burro para a cavalariça , lavou as mãos e o rosto , deixando a descoberto a pele queimada do sol e as mãos gretadas devido ao trabalho árduo do campo . ...Enquanto sacudia a poeira do traje , surgiu o patrão , homem altivo , mas bondoso , que lhe disse :
- Então Chico , já estás despachado ?
- Sim , senhor Américo ... ( respondeu ele , mas continuou ) - ... já posso ir ?
-Vá , como hoje é dia de festa , podes ir , toma lá a jorna e este talego com pão fresco e mais algumas coisas que a patroa aí pôs , passa pela venda do Ezequiel porque o vinho é por minha conta ...
Então surge a patroa apressada :
- Chico leva mais estas broas para os teus irmãos e este tecido para a tua mãe fazer umas farpelas para eles . Vá podes ir , e não te esqueças de ir ao balho logo à noite , a ver arranjas quem te dê herdeiros , olha que a vida passa depressa ...
- Obrigado dona Zefa , se puder assim farei ... ( respondeu ele , de ar triste como sempre ) .
.....Chico pôs o alforge ás costas e saiu , fechando atrás de si o pesado portão da quinta ....Já na rua , Chico olhou o horizonte , o Astro tinha uma mão travessa de distancia até à terra . Enquanto olhava o sol , ouvira a dona Zefa do outro lado do portão a confessar ao marido ( - É bom rapaz , se teu filho fosse como ele ... só nos escreve para pedir dinheiro ... ) . Chico pensou , na sorte em que tinha em ter aqueles patrões . Todas as semanas davam qualquer coisa para ajudar a família , e ele estava grato por isso ...
Apressado , inicia a marcha para casa , para não chegar já noite escura , e ainda queria passar
pela venda do Ezequiel . Passou pela venda , mas não quis beber , pediu uma garrafa para levar . Enquanto esperava , Vicêncio , amigo de infância , bebericava um copo encostado ao balcão , olhou para ele e tentou meter conversa :
- Então Chico , bebe uma latinha ...
- Não ... ( disse ele sem tirar os olhos do chão ) .
- Cada vez estás mais triste rapaz ... anima-te hoje é dia de festa . Não vens ao balho ? ( perguntou Vicêncio )
Chico não respondeu .
Ezequiel volta com a garrafa e diz-lhe :
- Assim morres cedo homem , és muito novo para tanta amargura ...
Chico pega na garrafa e diz para o taberneiro :
- Esta é por conta do patrão Américo .
E sai apressado sem ouvir o que Ezequiel continuava a dizer.
Quase a chegar a casa , Chico encontra seu primo Afonso ( ferreiro de profissão , além de primo , era também um grande amigo e confidente ) :
- Viva Chico , que tal estás , venho agora de tua casa ... ( diz-lhe o primo ) .
- Então , houve azar !? Aconteceu alguma coisa ? ( pergunta ele aflito ) .
- Não , tem calma . Porra que és espantadiço . ( diz Afonso em tom apaziguador )
- Desembucha homem , assim é que fico nervoso ... ( insiste o Chico )
- Venho dar-te uma novidade , quando souberes nem vais acreditar ... A Vera separou-se do marido , está cá na aldeia ... ( confessou-lhe o primo )
Os olhos do Chico brilharam de alegria , esbuçou um sorriso de orelha a orelha , o seu grande amor desde a adolescência , separara-se .
A Vera , era filha de um pequeno fazendeiro ( mas como todos os fazendeiros na época , fossem grandes ou pequenos , não queriam misturas com a ralé , ( segundo eles ) , que impedira o namoro entre os dois . Ambos se amavam , mas durante o tempo em que ele estivera fora , na guerra do ultramar , Vera fora forçada pelo pai a casar com Fernando , filho de um senhor fidalgo e regedor de uma aldeia vizinha .
O sol já se escondera , mas o brilho dos olhos do Chico quase que iluminava a rua ... :
- Quando foi isso ? ( perguntou ele , calmamente ) .
- Fiquei a saber esta de manhã ( diz-lhe o primo Afonso e continua ) , pelo que percebi , o marido fugiu para Espanha , com uma tal Pilar , filha de uns Espanhois que fugiram para cá durante a guerra civil , parece que eram caseiros numa herdade do pai dele .
Os olhos de Chico não paravam de brilhar , o amor por Vera renascera de novo , até parecia outro homem .
O primo continuou :
- Pelas más linguas , ouvi dizer que está prenha de sete ou oito meses ... Bem tenho de ir à janta que já se faz tarde , a minha Maria já deve estar irada de tanta espera .
Depois de se despedirem, cada um foi á sua vida .
( - Quero lá saber se está prenha , o que interessa é que está cá e deixou o marido [ pensou ele ] ) .
Chico , caminhou rápido para casa , nem queria acreditar , quase que voava de alegria ...
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
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Moinante = A.J.S.B.
Continua brevemente

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-  Edição de 06 janeiro, 2007 -

 

" Isto será normal ???"

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...A propósito dos 883 médicos não colocados .
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.......Mais uma aberração ( e eu que não queria política o meu blog ) .
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." A esta situação, que pode levar os profissionais a procurarem trabalho no estrangeiro, soma-se a falta de publicação de vagas para outros 883 clínicos do primeiro ano comum, que, por erro do sistema informático dos serviços do Ministério da Saúde, não foram ainda colocados em hospitais ou centros de saúde. Feitas as contas, estão hoje 1292 médicos internos em casa quando poderiam estar a trabalhar nos hospitais ou centros de saúde.O anestesista Rui Gonçalves, presidente do Conselho Nacional do Médico Interno da Ordem dos Médicos, considera a situação muito grave. “A falta de colocação pode levar estes colegas a procurar formação lá fora. Numa altura em que o Ministério da Saúde está a contratar médicos estrangeiros, não se compreende por que não dá condições aos portugueses para cá trabalharem e não se abre vagas.”Este dirigente da Ordem dos Médicos “estranha” a falta de abertura de vagas para os 409 internos, que, após o primeiro ano comum, deveriam iniciar em Janeiro a especialização – em cirurgia, pediatria, cardiologia, oftalmologia, reumatologia, ortopedia ou outra valência.Rui Gonçalves critica a “falta de cumprimento da legislação”, ao ver os despachos 216 e 217 ontem publicados no ‘Diário da República’, por não indicarem os hospitais onde os restantes 216 internos vão ser colocados.Fonte do gabinete do ministro da Saúde garantiu ao CM que o número de vagas pedidas pelo seu Ministério foi concedido pelo Ministério das Finanças, rejeitando, por isso, a ideia de que haja 409 internos sem colocação. Por outro lado, assegura que, no próximo dia 15 deste mês, deverá ser publicada a lista dos 883 internos do ‘ano comum’. "


" In Correio da Manhã Online "

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-  Edição de 05 janeiro, 2007 -

 

Formada em " História da Horta " !!!?

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....................Mais um episódio no centro de reabilitação ....

....- Ó dona Rosa , mas que revelação !! Eu nem queria acreditar !!! " Com quem tão " , formada em " História da Horta " !!!! ...
.....Assim que cheguei , a Ana veio-me dizer , quase entre dentes , que segundo uma paciente de certa idade que frequenta a clínica , tinham descoberto que a Dona Rosa também era formada em " História da Horta " . É claro que esta confissão gerou uma catapulta de improvisos e reinação , em todas as direcções ( é claro , tudo dentro do maior respeito ) ...
....Ora qualquer conversa ia sempre dar á horta , produtos hortícolas e afins , vocês podem imaginar . Blá, blá , blá nabos , blá , blá , blá couves e por aí a diante ...
....O meu companheiro de gabinete olhava-nos impávido , sem perceber o que se passava , nunca proferiu uma palavra ( só detectei que não era mudo , quando saiu e desejou um bom fim de semana e as melhoras ) , até aí olhava-nos de olhos quase esbugalhados , sem entender o que se passava .
...A Dona Teresa e a Ana improvisavam delirantes ...
...Consoante o desenrolar das conversas , o assunto ia sempre dar aos produtos hortícolas , sempre com intenção de marosca e com cheiro a malícia ( no bom sentido ) .
...Por fim a verdadeira revelação aconteceu , a senhora também é formada em " História da Arte " e não da " Horta ", os ouvidos da velha senhora geraram esta confusão , mas para não dar o braço a torcer disse : - Horta ou Arte é tudo a mesma coisa .
...Ora imaginem este equivoco no verão , que produtos hortícolas mencionar ...

Bem , pessoalmente acho que esta boa disposição se devia ao facto de ser sexta feira , estão a entender não é ??

Ora então um bom fim de semana . E viva à " História da Horta " .....

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-  Edição de 04 janeiro, 2007 -

 

Peixe vaidoso ...

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Como tristezas não pagam dividas , aqui fica este apontamento para descontrair ...
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Este é um dos espécimes aquáticos , que tenho no meu aquário .
Depois de barriga cheia adora contemplar-se ao espelho , ele lá tem as suas razões !!!Desta vez não conseguiu escapar ao " paparazzi " .

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-  Edição de 02 janeiro, 2007 -

 

Negro como sempre !!!

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........Mais um ano que começa . E com ele mais problemas , incómodos e queixas . São as guerras que continuam , a intolerância cega que não descola , a fome no mundo , as crianças maltratadas ou mortas , por vezes pelos próprios pais , a mentira politica que continua a proliferar , os aumentos que sacrificam cada vez mais os mais desprotegidos ... as listas para as cirurgias , a educação , a economia , os mortos nas estradas ... Apesar de desejarmos todos os fins de ano sempre as mesmas coisas , temos a consciência de que nada do que desejamos acontece ... tanta hipócrisia . Enfim , as previsões são as mesmas de sempre !! O que mais me irrita são os discursos de fim de ano , proferidos pelos donos dos colarinhos brancos e dos mangas de alpaca .
A agonia continua , tanto mais quando se vê rios de dinheiro gastos em " réveillons " , e os filhos do vizinho a morrer á fome . Isto estará certo ???

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