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-  Edição de 30 outubro, 2007 -

 

Com muita gratidão a todos os que me visitam .

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Caros amigos :
Por manifesta falta de tempo , não tem sido possível continuar com as edições regulares , espero que compreendam . Agradeço as vossas visitas e os vossos comentários , espero em breve poder voltar a continuar .
Até lá , um grande abraço .

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-  Edição de 15 setembro, 2007 -

 
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( Mini blog-romance - Ficção ). .

( IX Episódio )
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" Natércia "
( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )




.....Sem sobressaltos e, na velocidade que lhe fora atribuída , acomodou-se no cais onde tantas outras vezes estivera . A nuvem de vapor rodeava-o como se um imenso manto de branca lã fosse . Finalmente o ligeiro solavanco sentido ao encostar , assinalava o fim da demorada viajem , que marcaria a vida da jovem beirã para sempre . Ali estava ela , vagarosamente descia os estribos da carruagem , de pequena mala castanha na mão , para ela era tudo novidade , o frenesim das pessoas atafulhadas de bagagem , que se movimentavam em todas as direcções , como se fossem formigas desorientadas , perdidas do formigueiro . Este foi o primeiro contacto com a sua nova realidade .
A prima , como prometido , esperava-a , de olhos postos nas composições depressa a avistou , chamando-a :

- Natércia , Natércia . ( Chamava Genoveva , no meio das pessoas que a ladeava . )
Ela boquiaberta , fascinada com o movimento cosmopolita , hipnotizada , levantou a mão devagar e acenou à prima com a mesma genica .
Genoveva , dirigiu-se ligeira , até à carruagem onde a prima se encontrava . Ela parada no último degrau , olhava tonta em seu redor . A prima pegou-lhe na mala , ao mesmo tempo que ela descia , pisando primeira vez o chão da grande cidade .
Abraçaram-se intensamente , depois , Genoveva , iniciou a conversa , bombardeando-a de perguntas :
- Então como estás ? Como estão os meninos ? E os teus pais , ficaram bem ? Que disseram eles ? ( Perguntava ela , de tão rápido quase que se atropelava nas palavras .)
- Estou bem , está tudo bem , ficou tudo bem ! ( Disse Natércia , largando uma gargalhada , enquanto olhava para a prima . )
- Estás linda ! ( Disse-lhe a prima . )
-Deixa-te disso ... fico sem jeito ! ( Retorquiu Natércia .)
- Vamos ? ( Disse Genoveva , ao mesmo tempo que começava a andar . )
Pouco depois abandonavam a estação dos caminhos de ferro , ao saírem, Natércia olhou para trás deslumbrada com a grandeza da gare e , com a sua beleza . Nunca tinha visto algo semelhante . Depois , depressa apanharam o eléctrico , que pouco depois iniciava a viagem , na direcção das entranhas da grande teia citadina .

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.António B. (Moinante)
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

.Continua brevemente ..
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-  Edição de 01 setembro, 2007 -

 

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..............................." Ao luar "
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........................Ténue claridade envolvente
........................Tímida vence a vidraça
........................A cada momento que passa
........................Desperta o desejo ardente
........................Subtil realça no seu focar
........................Destemidas sombras em agitação
........................Movimentos beijados pelo luar
........................Ondulante jogo de sedução
........................Neblina da brisa passageira
........................Suave toque de seda preciosa
........................Cobertura fina e lustrosa
........................Das achas desta fogueira
........................Quem a trouxe também a levou
........................Devolveu o inspirante brilhar
........................De novo o enlace iluminou
........................Relevou o prazer do amar
........................São seres por ela iluminados
........................Luz dos momentos estonteantes
........................Dançam lentos os corpos amantes
........................Pelo brilho da lua alimentados
........................A cada momento que passa
........................Desperta o desejo ardente
........................Tímida vence a vidraça
........................Ténue claridade envolvente
.

.António B. (Moinante)

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-  Edição de 18 agosto, 2007 -

 
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( Mini blog-romance - Ficção ). .


( VIII Episódio )

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" Natércia "

( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )



........A grande máquina de toneladas de aço , em golfadas de vapor , aumentava o seu ritmo de marcha , ao som do habitual apito , que ecoava pelos campos das redondezas , espantando os filhos da natureza que por ali abundavam . Pujante , puxava as carruagens atrás de si engatadas , sem largar uma pinga de suor .
.......Natércia , à janela da carruagem acenava um último adeus a seu pai e , assim foi até perder de vista a estação ferroviária , iniciava assim a viagem que a levaria ao encontro dos seus sonhos .
...... A rigor perfilado , seguia concentrado no traçado como uma serpente em trilho marcado , a trás de si deixava um rasto de fuliginoso fumo expelido pela fornalha , que aquecia a caldeira com a substancia em ebulição . Ligeiro , galgava légua após légua , deixando para trás aquelas vilas e aldeias adormecidas entre serras . Algum tempo depois irrompia fulguroso por terras albicastrenses , onde descansou sem pressas . Por ali ficou , enquanto o frenesim do povo o ladeava . Cumprido o seu compromisso com o tempo , de novo se fez ouvir na ferrovia , apontando ao destino traçado , seguindo esbaforido para as campinas do Ribatejo . Aí , abraçou com amizade o Tejo , companheiro de outras tantas viagens , que daí em diante , com os seus milenares e sábios conhecimentos seria o guia da viagem até à cidade das sete colinas .
...... Natércia , absorvia cada légua da viagem , para ela tudo era novo , os seus olhos miravam ávidos tudo o que a vista podia alcançar , nem o madrugar , nem a noite mal dormida , a retiravam da sua vigia . De suave sorriso nos lábios , e colada na janela da carruagem , continuava a guardar na memória as imagens deslumbrantes , que uma a uma se desenrolavam à sua frente .
.......Sempre com o rio por perto , a locomotiva seguia o seu caminho indo ao encontro da linha do Norte . O comboio alinhado , saltava de estação em estação , de apeadeiro em apeadeiro , com a genica de quem nunca se cansava , o fumo negro largado em baforadas e , o som do apito que de vez em quando deixava escapar , assinalava a sua passagem . Imponente , por fim chegou ao Entroncamento , onde uma encruzilhada de linhas o aguardavam , serenas , sábias .
...... Após a mudança de linha e a espera habitual , a viagem continuou sem sobressaltos . Apenas se ouvia o som das rodas sobre a linha , que a fizeram recordar um antigo dito que acompanhava as brincadeiras de infância de quem sonhava viajar , pouca terra , muita terra , pouca terra , muita terra ... Ao som destas palavras retiradas do seu subconsciente e , sem que na da previsse , adormeceu derrotada pelo cansaço . A viagem no entanto continuou , a máquina na sua potência controlada pelas mãos conhecedoras , foi digerindo léguas de linha , até que sem aviso iniciou os sinais sonoros , constantes , que a acordaram . Ao longe numa ligeira curva a favor da visão , no horizonte , avistava-se a tão desejada estação ferroviária de Santa Apolónia . Entre os apitos , movimentos dos sistemas de agulhas e o som dos freios a serem accionados , adivinhava-se o fim da viagem para breve . Grandiosa e sem demonstrar cansaço a locomotiva puxando as carruagens lotadas de gente e bagagens , entrava vagarosa no telheiro da estação , anunciando o fim da tão desejada viagem ...


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.António B. (Moinante)
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

.Continua brevemente ..
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-  Edição de 13 julho, 2007 -

 
.( Mini blog-romance - Ficção ). .


( VII Episódio )
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" Natércia "
( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )
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..............A escuridão da noite , ainda adormecida , não escondeu os sentimentos do momento . A mãe e os irmãos choraram agarrados a ela , como se fosse para sempre . Ela com as suas palavras , ia-os consolando , dizendo que sempre que pudesse os viria visitar . Os pequenos pediram : - " Não te esqueças de nós " . E continuaram no lamento .
............Por fim chegou o carro puxado por uma junta de bois , do Ti Adérito , que ia ao Fundão , Natércia acompanhada de seu pai , aproveitaram a viagem anteriormente oferecida . A Covilhã ficava mais perto , mas assim poupavam no custo do bilhete do comboio . Leve ela saltou para cima do carro , o pai deu-lhe a pequena mala , seguindo-lhe a atitude com nervo . O dono ordenou , o veiculo começou a rolar , vagaroso , com o iniciar da descida a velocidade aumentou , deixando para trás aquele lugar onde ela passara toda a sua vida . Junto ao portão , a família acenava num adeus sentido , ela retribuiu , as lágrimas escorreram-lhe pelo rosto . Do povoado já pouco se via , a não ser o ponto luminoso da candeia que sua mãe segurava . Légua após légua , o carro foi avançando entre os solavancos e o desviar das ramagens , que vinham espreitar ao meio do caminho , admirando quem passava . Passadas quase três horas de viagem , começaram a passar as primeiras casas da localidade , ao passo dos animais seguiram para a outra extremidade , chegando à estação com o romper dos primeiros raios de Sol , que trespassavam a neblina matinal . Notava-se já algum movimento característico daqueles locais , depois de comprarem a passagem , encaminharam-se para o apeadeiro , iniciando a espera . As pessoas carregadas de bagagem iam-se distribuindo pelo cais de embarque , Natércia sem que o seu pai desse conta , comparou a sua pequena mala com o carrego que os demais apresentavam . O tempo passava sem pressa , a certa altura , enquanto esperavam , seu pai num movimento carinhoso , afagou-lhe os cabelos , sinal paternal de saudades antecipadas , Natércia olhou para ele e, pegando-lhe no braço , aconchegou-se , encostando a cabeça ao seu ombro , decerto que iria sentir falta da família , mas , a vida tem destas coisas ... pensou ela .

.........Ao longe soou um apito , chegara a hora , as pessoas ao ouvirem , encaminhavam-se lentamente para o local de embarque , ao mesmo tempo surgia ao fundo da linha , depois de se fazer soar por diversas vezes , a locomotiva a vapor , enquanto avançava , largava baforadas de fumo branco , ao mesmo tempo que reduzia a velocidade , chegando vagarosa ao apeadeiro , até que parou . Era a altura da despedida , Natércia abraçou seu pai e, deixaram a emoção fluir ... Natércia , pegou na pequena mala e iniciou a subida dos estribos , o pai desejou-lhe sorte , continuando emocionado , ela entrou na carruagem e procurou um lugar vago , tendo encontrado um junto da janela , mesmo em frente ao local onde seu pai se encontrava . Pouco depois ouviu-se de novo o apito , avisava o começo de marcha , iniciou vagaroso , tal como chegara , a viagem que a levaria a concretizar os seus sonhos ...
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.António B. (Moinante)
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

.Continua brevemente ..

Depois destes próximos quinze , merecidos , dias de férias .
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-  Edição de 06 julho, 2007 -

 
.( Mini blog-romance - Ficção ). .

( VI Episódio )
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" Natércia "

( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )



.........Um novo dia se avizinhava , característico , raiano . A alvorada chegava arrastando consigo a neblina namoradeira da Cova da Beira , silenciosa , assentava arraiais no sopé da serra , fazendo a terra transpirar o cheiro puro da humidade , que inundava os mais recônditos lugares serranos . Lá fora ouviam-se os primeiros sinais da alvorada , o som habitual das gentes da pastorícia ouvia-se aqui ou acolá , naquele povoado abençoado pelas abundantes pastagens em seu redor .
.........Em sua casa ouviam-se os primeiros ruídos da manhã , seus pais iniciavam a labuta , enquanto seu irmão , estremunhado , rabeava por mais uma manhã arrancado do calor da sua humilde cama , para acompanhar seu pai em mais uma jornada por entre cabras e ovelhas ao som dos chocalhos , que ecoavam naquela paisagem .
.........Natércia , há muito que estava acordada , o seu pensamento estava em qual teria sido a decisão .
Ela rápido se levantou , vestindo-se apressada , seguiu para a divisão da casa de onde soavam os seus pais , iniciando o ritual matinal :
- Sua bênção , senhor meu pai . ( Cumprimentou ela o seu progenitor , beijando-lhe a mão ) .
- Que Deus te abençoe minha filha . ( Respondeu o pai , na sua rudez natural ) .
- Sua bênção minha mãe . ( Repetindo o acto , denotando-se nervosismo e ansiedade ) .
- Que Deus te abençoe minha filha . ( respondeu sua mãe , enquanto terminava de preparar as sacolas com as merendas , para o dia de trabalho . )
..........Em silencio , seu pai e seu irmão saíram de casa , seguindo o destino que os aguardava . Nada lhe foi dito . Ela sedenta de uma resposta , abeirou-se de sua mãe :
- Senhora minha mãe , senhor meu pai nada disse , o que decidiram ? ( perguntou ela , movida pela ansiedade que não a largava ).
- Ficou de pensar , espera que os ares da serra lhe sejam bons conselheiros , no final do dia ele te dirá o que decidiu . ( respondeu-lhe sua mãe , sem nada adiantar , continuando com os seus afazeres ) .
........Seria mais um tempo de angustia e de espera , que lhe consumia a alma e o pensamento . O dia foi passando igual a tantos outros , os deveres e afazeres preenchiam-lhe o pensar , mas , de vez em quando o sonho invadia-lhe o corpo deixando-a estática , vidrada nas palavras de sua prima , que ouvira pela boca de Dona Gracinda . As horas passavam , ao seu redor o mundo parecia parado , sem nada que lhe despertasse interesse ou curiosidade , simplesmente fazia o que tinha para fazer . Finalmente o dia se encaminhava para fim , o sol ia-se escondendo aos pedaços , já se ouvia , ao longe , o regressar dos rebanhos e das gentes que os acompanhavam , as rotinas continuaram até que por fim chegou a ceia e com ela as novidades . Depois de alimentar o corpo , seu pai disse-lhe em breves palavras o que decidira , os ares da serra tinham-lhe soprado de feição . Depois da ceia , visitaram Dona Gracinda , para dar resposta há carta da prima Genoveva ...
............Os dias foram passando como se fossem eternamente lentos , propositadamente . Finalmente chegou Domingo , o dia tão desejado . Natércia , nessa noite mal pregou olho , o seu pensar viajou por outras paragens , no entanto , também pensava como seria a vida ali sem ela . Não , não podia voltar atrás , desejara em demasia a oportunidade de sair dali , fazer outro tipo de vida , ajudar a família com dinheiro ganho na cidade . As horas pareciam não passar , até que por fim chegou o momento das despedidas ...

.António B. (Moinante)
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

.Continua brevemente ..


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-  Edição de 01 julho, 2007 -

 
.( Mini blog-romance - Ficção ). .

( V Episódio )
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" Natércia "
( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )


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...............Os olhos dela sorriram , ao ouvir a voz de seu pai , Belarmino , assim era a sua graça :
- Natércia , vamos a casa da Dona Gracinda , saber do que se trata a carta . ( Disse ele , naquele tom de voz notoriamente campestre , mas no seu rosto vincado pelas agruras da vida , reflectia um laivo de tristeza , que ele tentava não denunciar ) .
- Sim senhor meu pai , deixe-me acabar de enxugar a loiça ... ( Disse ela sem que sua irmã a deixasse acabar de falar , pois nos seus olhos a alegria transbordava , de tal forma que seus irmãos notaram , na quanta felicidade era irradiado por aquele olhar . )
- Vai já Natércia , eu acabo por ti . ( Disse Clarisse , desejosa de saber a confirmação de toda aquela alegria , e acabar com angustia provocada pela demora da carta , que consumia a mente da irmã . )
- Ahh , Clarisse , obrigada , nem sabes o quanto estou ansiosa . ( Agradeceu ela à sua irmã , dizendo o que não precisava de dizer , porque os seus olhos eram como a água cristalina da serra ) .
................De seguida Natércia e seu pai , encaminharam-se para casa de Dona Gracinda , que habitava do outro lado do povoado , pelo caminho as palavras ficaram-se pelos pensamentos , de alegria por parte dela e , de apreensão por parte de seu pai . Com a habitual boa vontade de sempre , Dona Gracinda os recebeu e , como se nada a empatasse iniciou de seguida a leitura da tão esperada carta , que por sinal nem era muito extensa :
.
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..." ..Lisboa , 12 de Março de 1946 .
.
.
..............Querida prima Natércia , espero que te encontres bem de saúde , assim como os teus queridos pais e irmãos , que eu por cá , vou andando com a graça de Deus .
............Tal como te havia prometido , encontrei casa onde tu trabalhares . Já está tudo apalavrado , vens para casa de uns senhores cuidar de uma senhora de idade , mãe da patroa . São os Sampaio , gente boa , muito bem vistos aqui no bairro . Para além de cuidares da senhora à também a lida da casa , terás de ajudar uma outra empregada , que está encarregue desse trabalho . Ficas como interna , com um quarto só para ti , mesmo junto ao da senhora idosa , para que no caso de ela precisar de alguma coisa durante a noite , ela te chamar . Vais ver que vais gostar e, ficamos muito próximas uma da outra , é quase em frente à casa onde eu estou .
...........Começas a trabalhar na primeira segunda-feira de Abril . Depois quando cá chegares falamos melhor . Os senhores são generosos , por isso não te preocupes com o resto . De certeza que te vais dar bem . Escreve o quanto antes a confirmar , para dar a certeza aos senhores .
.......... Agora me despeço , tenho de ir trabalhar , pois aproveitei esta vinda há mercearia para encomendar o avio e pedi há senhora que me escrevesse esta carta . Beijinhos para os meus tios , para os meninos e muitos para ti . Cá te espero na estação dos comboios .
.
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..............................................Da tua prima Genoveva . ......"
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. . . . . . .Os olhos de Natércia brilhavam fora do vulgar , as suas mãos suavam de nervosismo , seu pai permaneceu calado , a feição do seu rosto dizia tudo . Depois de se despedirem de Dona Gracinda , regressaram a casa sempre em silencio . Nesse serão nada ficou definido de concreto , mas , deitada na sua cama , ouviu seus pais conversarem sobre o assunto , sem que nada consegui-se perceber . Adormeceu e sonhou com a viagem por terras que não conhecia e , a grande cidade luzia no seu subconsciente ...


.António B. (Moinante)
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

.Continua brevemente ..

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-  Edição de 26 junho, 2007 -

 

« Um Ano Depois ... »


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......... um ano atrás era assim o meu primeiro post , uma nova aventura iria começar , tímido mas com a consciência do gosto pela a aventura ..
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......................... " A DIFICULDADE DO NASCER "
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( Quando, não temos uma explicação lógica , para o que não entende-mos , é porque o assunto , é do outro mundo ) .
Quando propus a mim próprio a criação deste blog , longe de mim a ideia de que teria alguma dificuldade ( coisas de cotas ) . Pois bem , ei-lo aqui . Com mais tempo irei iniciar com a essência que motivou o nascimento deste blog . ( CONVERSAS SEM FERROLHO !!!?)


.......Hoje , ainda continuo com a consciência do gosto pela aventura . Mas , perdi a timidez , muito aprendi ... sim aprendi , aprendi com todos vós , cresci , amadureci , fiz muitas amizades e partilhei o que me ia na alma . A todos vós devo estes momentos , pelo carinho , pela partilha , compreensão e principalmente pela amizade que nos une . Quero agradecer a todos os que por aqui passam , aos que comentam , aos que chegam e depois simplesmente partem sem nada dizer , mas que levam um pouco de mim , de vós , de nós .
..
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OBRIGADO PELA VOSSA SIMPATIA E AMIZADE
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E como é um blog que fala de amor , aqui deixo este poema como dedicatória .
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" O AMOR PODE ... "
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...................Deslumbrante és minha doce amante
...................Ao alvo amanhecer que revela a tua beleza
...................Teu corpo acariciado pela brisa passante
...................Agita o véu da paixão e da alma a pureza
...................Seduz a silhueta que me inunda a visão
...................Os teu olhos indefinido matiz azul celeste
...................Juntos lado a lado sinto a tua sedução
...................No som do teu sorriso amo-te tu disseste
...................De suave perfumado
...................Desperta-me o teu odor
...................Meu desejo alimentado
...................És tu o meu amor
...................Tacto a descobrir
...................Aveludado meu afagar
...................Em fogo a consumir
...................Teu desejo a latejar
...................Se de longínquo estivesse eu viria para ter
...................O doce suave toque da tua pele e desejar
...................Momentos envolventes de paixão e prazer
...................O mundo eu cruzaria para te puder amar
...................Junto a ti aqui estou neste meu pensamento
...................Sinto-me afortunado pela tua devoção
...................Amor eloquente puro e nobre sentimento
...................Que derrete em mel o mais gélido coração
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" ...MUDAR O MUNDO " .
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.António B. (Moinante)

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-  Edição de 24 junho, 2007 -

 

Desafios e os actos de Nobreza ...

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"Batata Quente "




A minha querida amiga Alice passou-me esta "Batata Quente".
O desafio consiste em indicar 5 livros que tenham sido referenciais de alguma forma e ainda, qual ou quais estão em leitura actual. Depois, é só indicar 5 blogs a serem desafiados nos mesmos termos!


Aqui está a minha selecção:




" ESTEIROS " - Soeiro Pereira Gomes
" CERROMAIOR " - Manuel da Fonseca

" A JANGADA DE PEDRA " - José Saramago
" SETE ANOS NO TIBETE " - Heinrich Harrer
" O ALQUIMISTA " - Paulo Coelho

Leitura a começar brevemente :

" NADA É ETERNO " - Sidney Sheldon


Os Blogs que resolvi desafiar são os seguintes :

São todos vós .




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" Actos De Nobreza "






O Trevinho ... das Rarissimas...


A minha querida amiga Um Momento lançou um desafio a todos os que o TREVINHO quiserem "agarrar"
Eu não podia deixar de forma alguma ,ignorar tão Nobre acto...
O agarrei com tanta Emoçao...
E...agora o PARTILHO com TODOS VÒS do fundo do meu coração...
...
Vamos ajudar as "RARÍSSIMAS ",divulgando-as...
com toda a vossa boa vontade, o Amor que vos vai no CORAÇÃO, a ternura que vos faz esboçar um sorriso, aquele OLHAR ... que nos faz sentir a emoção de se ser RARO...
Aqui Planto o meu TREVINHO ,e peço a todos vós ,enternecida ,que o reguem...
para ele crescer, crescer , crescer...e a essas PESSOAS RARAS de alguma forma ...
SORRIR...SORRIR...SORRIR...
E as fazer SORRIR (",)
Eu sou uma pessoa "RARA"... e tu ?(",)

Lembram-se do MENINO AZUL?...(*)
...

Seria suposto eu estar neste Momento
a nomear 5 blogs...
Mas não o farei...
Pois acho que todos NÓS
somos pessoas "RARAS"
Logo...A todos VÓS...
Pessoas "RARAS" que me lêem...
Estão Desafiados a Agarrar este TREVINHO...
e a PLANTÁ-LO...

UM BEM HAJA A TODAS AS PESSOAS "RARAS" DO MUNDO (*)

PS:
" TREVINHO já está na rua e a Raríssimas precisa da ajuda de todos para que a “Casa dos Marcos” seja uma realidade. Por cada TREVINHO que compra estará a contribuir com 4€ para construção de uma residência para jovens com deficiências mentais e Raras. Pode encomendá-lo directamente neste formulário, ou fazê-lo pelo telefone 96 965 74 44."


"O tema “O Mesmo Olhar” será o hino das RARÍSSIMAS e do seu projecto de acolhimento e apoio a crianças com doenças raras e seus familiares, a Casa dos Marcos. Esta é mais uma etapa de sensibilização para as doenças raras que conta com o apoio da Dr.ª. Maria Cavaco Silva.
O CD/DVD vai estar à venda até ao final do ano no El Corte Inglés e insere-se numa campanha de sensibilização e angariação de fundos para a Casa dos Marcos, a decorrer durante 2007.
Com o início da construção agendado para o último trimestre de 2007, e conclusão em 2009, a Casa terá a porta aberta para uma população portadora de doenças mentais e raras adulta ou jovem adulta, com carências de apoio e de actividades lúdicas e intelectuais.
A nível mundial estão contabilizadas cerca de 7.200 doenças raras, 300 das quais identificadas em Portugal. Cerca de 8% da população portuguesa tem uma doença rara, que pode ou não estar diagnosticada. Em todo o mundo são reportadas cinco novas doenças raras por semana.
A RARÍSSIMAS existe desde 2002 para apoiar doentes, famílias, amigos de sempre e de agora que convivem de perto com as doenças mentais e raras."


Solidariedade.
Sejam felizes .

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-  Edição de 21 junho, 2007 -

 
.( Mini blog-romance - Ficção ).
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( IV Episódio )

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" Natércia "
( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )
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........Natércia nem queria acreditar , era a voz do senhor Almiro , o carteiro :
- Natércia , Natércia . ( Continuava ele a chamar , desalmado ) .
- Estou a ir ... ( Respondeu ela , corria de tal forma , que nem sentia o peso dos tamancos ) .
- Tens aqui uma carta rapariga , vem de Lisboa , despacha-te que tenho mais que fazer . ( Disse o velho Almiro , carteiro toda a vida naquelas paragens , ao ver a rapariga a correr apressada ) .
- Ai senhor Almiro obrigada , há tanto tempo que a esperava . ( Disse Natércia , assim que chegou junto do carteiro ) .
.......Atrapalhada , limpou as mãos ao avental , pegando na carta de seguida . Olhou para a carta e voltou-a , tornou a voltá-la e mais volta que volta . Mas , aquelas letras de azul permanente nada lhe diziam . Correu para casa e entrou a chamar pela mãe :
- Senhora minha mãe , senhora minha mãe . ( Gritava ela , delirante ) .
O que foi rapariga , que gritaria é essa ? ( Respondeu a sua mãe em sobressalto ) .
- Acabou de chegar ! ( Disse Natércia para a sua mãe , ao mesmo tempo que mostrava o envelope ) .
.....Os olhos de sua sua mãe , Dona Arminda , empalideceram ao verem a carta , apenas olhou sem reagir . O seu coração palpitou , mas tentou não dar importância .
- Posso ir agora a casa da Dona Gracinda ? ( Continuou ela , na sua euforia de adolescente , ansiosa ) .
- Não , espera pelo senhor teu pai , sabes que a palavra dele ... ( Respondeu-lhe a mãe sem continuar ) .
- Está bem , eu já sei . ( Disse a rapariga , conformando-se ) .
......Natércia , Olhou para a sua mãe , sem nada dizer , aconchegou por momentos a carta junto ao coração , depois guardou-a no bolso do avental cuidadosamente . Nunca lhe tinha custado tanto passar meia dúzia de horas .
......O dia chegava ao fim , ao longe ouvia-se o soar do rebanho no seu compasso certo , pesado de cansaço . À frente vinha o pobre do seu irmão , que guiava aquele imenso rebanho , visto ao longe , ao crepúsculo , mais parecia um mar , onde o sobe e desce do movimento dos animais , o ondular da água encrespada pelo vento incerto . A trás , o seu pai acompanhado da fidelidade , negava o atraso aos mais lentos , noviços e velhos eram incentivados pelo bordão e pela voz da ordem . O som cada vez mais próximo , era o sinal do iniciar dos mesmos rituais de sempre . Por fim o rebanho chegava agastado . Chegados à cerca , havia que os separar , machos e noviços para um lado , fêmeas para outro . De baldes com água juntos a cada um , de rudilha na mão , os irmãos mais novos lavavam as tetas das cabras e das ovelhas , Natércia e os seus pais ordenhavam uma a uma num ritual que parecia não ter fim . A irmã Clarisse , enchia os cântaros do leite que era para ser vendido , o restante , uma pequena parte dele ia para a fervura , ficando a coalhar para a tarefa do dia seguinte . Por fim a labuta chegava ao fim , exaustos , ansiavam pela seia , que algum tempo depois era servida . No decorrer da seia , Dona Arminda informou o marido de que chegara uma carta para a Natércia . O homem , ao tomar conhecimento franzio o sobrolho , de pensativo . Chegado o fim da refeição e , depois de falar com a mulher a sós , lá se decidiu ir com a filha a casa de Dona Gracinda ...


.António B. (Moinante)
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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

.Continua brevemente ..

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-  Edição de 19 junho, 2007 -

 

Meu blog fala de Amor !!!


Uma oferta da amiga Solitária .


Copia o selo destaque

Dedico este destaque , que muito me lisonjeia , a todos os que me visitam , não só aos que cometam , como a todos os que por aqui passam . O meu mais profundo obrigado . Junto este poema , que também dedico a todos vós . Que na minha perspectiva continua a fazer jus à atribuição .


............................." Beijo "

.......................Triste fico se não te vejo
.......................Sinto dor não vou fingir
.......................Desejo mandar-te um beijo
.......................Ao vento eu vou pedir
.......................Tu longe sem nada saber
.......................Passo dias em ti a pensar
.......................Parto nas nuvens para te ver
.......................É contigo que eu quero estar
.......................Outras encontro nesta viagem
.......................Nada sinto nas suas belezas
.......................Sigo rumo não faço paragem
.......................Pois sou firme nas minhas certezas
.......................A nuvem baixa para eu descer
.......................Com o vento tu estás a falar
.......................Ó vento escusas de lhe dizer
.......................Aqui estou para o beijo lhe dar
.......................Nos teus olhos brilha a alegria
.......................Na surpresa do meu surgir
.......................Teu coração calor irradia
.......................Jamais eu irei partir
.......................Sinto o doce dos teu lábios
.......................Desejo que emana calor
.......................Atrais-me por motivos vários
.......................Eterno será o meu amor
.......................Partem as nuvens e o vento
.......................No peito levam o desejo
.......................Que junto a ti jamais lamento
.......................Que triste fico se não te vejo

António B. ( Moinante )


E que sejam felizes ...


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-  Edição de 17 junho, 2007 -

 

" Cupido Fonte De Amor "

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Uma oferta das amigas Leticia Gabian e Luar Perdido , que convosco quero partilhar .

Copia o selo destaque


......Junto este poema por mim escrito em 1987 , dedicado à mulher que até hoje me tem acompanhado , no bem e no mal , e que me deu uma filha maravilhosa . Penso que faz jus ao destaque .

............." Ardo De Paixão "


............................Ardo por dentro intenso
............................Fogo que lavra de paixão
............................Juntá-lo seria imenso
............................Se me desses teu coração
............................Vê o que por ti sinto
............................Labaredas que alam então
............................Julgas que eu te minto
...........................Olha a cor do meu coração
...........................Chega-te e sente o calor
...........................Do meu corpo em ala a arder
...........................Dou-te todo o meu amor
...........................Pois contigo quero viver
...........................Toma sente-lhe o cheiro
...........................Do meu corpo em ebulição
...........................A escaldar por inteiro
...........................Como sol em dia de Verão
...........................Não evito este braseiro
...........................Arde comigo Amor , pois então
...........................Sê fole na forja do ferreiro
...........................Pois ao rubro Ardo De Paixão



.....Os convites para a entrega do " Destaque Cupido Fonte Do Amor " , serão entregues aos próprios , isto porque seria injusto e pouco ético mencionar aqui , porque gosto de todos os que visito . Espero que gostem .

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-  Edição de 14 junho, 2007 -

 
.( Mini blog-romance - Ficção ).
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( III Episódio )
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" Natércia "
( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )
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........Por fim acabava o dever , depois da roupa lavada e torcida colocaram de novo os alguidares de folha à cabeça , as mãos enregeladas e cansadas , quase se negavam á exigência da mente . O regresso era feito mais lento , a inclinação do terreno e o corpo moído , ordenava que assim fosse . Lentamente subiram pela vereda por entre a vegetação serrana , onde os seus intensos odores levitavam como que por magia , aos poucos o caminho ia-se encurtando , até que exaustas chegaram a casa . Clarisse , irmã de Natércia três anos mais nova ,acabara de cozinhar a sopa que a sua mãe , Dona Arminda , começara . Dera também as sopas de cavalo cansado , aos catraios mais pequenos que dormiam de novo . Era meia manhã , enquanto a mãe estendia a roupa , Natércia e a irmã , iniciavam uma nova tarefa , era a altura de limpar e voltar os queijos , no decorrer da labuta , Clarisse deu inicio à conversa :
- Natércia . ( Disse ela chamando a atenção da irmã ) .
- Sim diz . ( Respondeu Natércia ) .
- Sempre queres ir para a cidade ? ( Perguntou Clarisse , curiosa , enquanto compunha o avental branco de linho ) .
- Sim estou , lá ganhasse mais dinheiro , que depois posso mandar para cá , para ajudar os nossos pais . ( Disse Natércia de olhos a brilhar de desejo . )
- Não tens receio de ir assim para lá sozinha ? É tão longe !! ( Perguntou a irmã com alguma admiração , querendo saber das decisões da irmã ) .
- Não , se for assim como a prima Genoveva diz . Fico perto dela , sempre nos podemos ver de vez em quando , matamos saudades . ( Respondeu ela , mostrando anseio e confiança ) .
- Não sei , eu acho que tinha . Lá tão longe daqui da serra . Eu acho que vou ficar sempre aqui .( Retorquiu Clarisse , certa das suas emoções ) .
- Não sejas tola . Porque razão havia de recear ? E depois sempre é melhor do que estar aqui . ( respondeu Natércia convicta , para a irmã ) .
........O silencio voltou a emergir sereno por entre o cheiro activo dos queijos na cura . A jornada de trabalho continuava no seu passo de sempre , sem sobressaltos . Os dias passavam iguais a tantos outros , o ruído da saída do rebanho para as pastagens , era o sinal da alvorada . Lá fora ouvia o seu pai a dar as ordens a Adérito , seu irmão , que com apenas dez tenros anos , já trabalhava na vida rude da pastorícia . Escola , nenhum deles sabia o que era isso , fazia falta gente na lavoura , essas coisas eram para os meninos da cidade , ali havia que trabalhar e no duro , em troca de uma malga de sopa e um naco de broa no fundo da sacola .
.......Natércia passava os dias a pensar , como seria a cidade , as pessoas , as casas ... desejava sofregamente que uma carta chegasse , não era necessário ter muita escrita , bastava apenas a palavra " vem " , dito pela boca de Dona Gracinda , a única pessoa no povoado que sabia ler . E onde toda a gente se deslocava quando recebia correspondência . Ela incansável lia as cartas de todos , sem nada pedir em troca . Lia porque gostava e assim não esquecia , dizia ela sempre que alguém lhe pedia uma leitura .
.......Certo dia estava ela no telheiro , numa azafama a empilhar os cavacos de lenha que seu pai rachara , quando ouviu alguém a chamar por ela , ao portão da velha casa de granito :
- Natércia , Natércia ... Ó de casa !... ( Gritou o velho carteiro ) ...
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António B. (Moinante)

.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

.Continua brevemente ..

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-  Edição de 06 junho, 2007 -

 
.( Mini blog-romance - Ficção ).

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( II Episódio )
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" Natércia "
( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )
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......Genoveva , sua prima , há um par de anos que tomara rumo a sul , saíra daquele lugarejo com a esperança de encontrar melhor vida , dar também alimento aos seu sonhos , trocara o ar da serra pelo frenesim da capital . Durante a noite de Natal , Natércia com ela conversara todo o serão , ficou deslumbrada com as histórias , que então ela lhe contara ...
A prima prometera-lhe arranjar trabalho , e quando isso acontecesse , dir-lhe-ia por correio , quando embarcar com destino à grande cidade . A moçoila constantemente sonhava com esse dia , tão longínquo , sonhava e suspirava , a sua mente planava alto , num voo de sonho por terras desconhecidas . Sem ela dar conta , a sua mãe saiu de casa batendo a porta por descuido , acordando-a daquele maravilhoso sonho .
......Era dia de lavar a roupa da semana . Juntas , por entre a densa vegetação que ornamentava a paisagem , mãe e filha seguiram destino , de alguidares à cabeça , desceram a vereda na direcção do ribeiro , o caminho acidentado era feito com cuidado , não fosse acontecer alguma desgraça . Chegadas ao ribeiro , Natércia colocou o seu alguidar sob um penedo , ajudando de seguida a sua mãe a descarregar o dela , a labuta começava pouco depois .
......Livre da nascente , tomava conta das mãos sem piedade , roxas de tanto frio , rápido ficavam trôpegas condicionando as suas intenções . Enquanto lavava e batia , a sua alma foi tomada pela corrente , harmoniosa , saltava de seixo em seixo desviando-se dos penedos numa dança enfeitiçante , entoando o seu doce cântico como que a dizer-lhe :
" - Anda , vem comigo por estes ermos abaixo , correr por essas terras desconhecidas , apreciar as belezas deste mundo que se estendem à minha passagem . Anda , vem ao sabor do desejo , por esses estreitos e pegos , partilhar o carinho da natureza que me cobre de sombra aliviando-me o cansaço , ou sentir os beijos dos seus filhos , que abundam nas minhas margens , que quando bebericam um pouco de mim matam a sede e ralaxam na fresquidão . Anda vem conhecer estas terras que banho e que tu tanto anseias ... "
.....A pureza da água passante , espelhava a imagem daquele rosto sonhador , a quem a essência da vida por breves momentos lhe levara a alma sedenta de encantos na flor da existência . O bater da roupa na fraga e o silvar do vento no mato , de novo a traziam à velha realidade ...

António B. (Moinante)



.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

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-  Edição de 31 maio, 2007 -

 
.( Mini blog-romance - Ficção ).
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( I Episódio )
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" Natércia "
( A Sopeira Dos Sonhos Traídos )
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.. ..... Perdida no tempo e encrostada a meia encosta da serra , só por caminhos agrestes e veredas se acessa a tal lugar , ao longe avistasse a serra da Gardunha , crepuscular , pincelada na paisagem Beirã . Ali as nuvens mais parecem pedaços de algodão límpidos , que com um simples esticar de braços quase se podem tocar , acariciar . A manhã acorda , ao som de guizos e de chocalhos dos rebanhos , que sonolentos se dirigem para as pastagens verdejantes , conduzidos pela voz do pastor madrugador e do latir dos fieis amigos, eternos companheiros das jornadas serranas .
........ O Sol , lá da banda de Espanha , espreita tímido estas terras lusas , que se erguem na paisagem fria . O branco desencardido da neve , transformou-se em cristalina água , que escorre dos penedos desejosa de chegar aos regatos , que serpenteiam pela encosta abaixo , procurando o leito irrequieto do jovem Zêzere . Os Urzes e Azevinhos , espreguiçam-se orvalhados , aos primeiros raios do Astro Rei . A Lua há muito que se deitou , levando consigo o breu nocturno, dando lugar à alva manhã , que em passos cuidadosos avança de ermo em ermo , silenciosa , raiana . O fumo branco das lareiras , cedo inicia a sua viagem pelas chaminés , subindo vagaroso em direcção da extensa abóbada celeste , forçado a inclinar-se , ao passar da suave brisa da manhã . A água ferve na panela de cobre , onde pedaços de couve se vão juntando , aos feijões amaciados pelo flamejar do braseiro em ala , que aquece o humilde albergue nos arrabaldes do povoado .
..... Natércia , enquanto esperava por sua mãe , depois de já ter passado a roupa da barrela para os alguidares de folha , degustava a paisagem e o romper da aurora . Nos seus deslumbrantes dezassete anos , apenas uma vez saíra da sua pequena aldeia . Foi em Outubro último , a quando da feira da Covilhã , acompanhara seu pai , quando ele ali se deslocou para vender as peles curtidas , de cabra e de ovelha , excedentes do seu rebanho . Apesar de ela adorar aquele lugar , desde que a sua prima Genoveva lá esteve na consoada , o seu pensamento por vezes galgava a serra da Gardunha , na direcção da terra dos sonhos prometidos …


António B. (Moinante)

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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência .

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-  Edição de 29 maio, 2007 -

 
A música dos bons velhos tempos .
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" Rui Veloso "


......Rui Manuel Gaudêncio Veloso (30 de Julho de 1957, Lisboa), embora nascido em Lisboa o cantor muda-se para o Porto com apenas três meses. É um cantor, compositor e guitarrista português. Considerado por muitos como o pai do rock português, movimento musical surgido no início da década de 80, foi como intérprete de blues que começou a sua carreira numa banda de garagem chamada Magara Blues. Toca harmónica desde os 6 anos. Diz-se apreciador de B.B. King e Eric Clapton, entre outros nomes consagrados. Actuou por duas vezes com o primeiro no Coliseu do Porto e no de Lisboa, em concertos aplaudidos pela crítica. É reconhecido internacionalmente como o mais autêntico bluesman português.
....É responsável por muitas das canções que fazem parte das lembranças de cada português como Chico Fininho, Porto Sentido, Não Há Estrelas No Céu, Sei de Uma Camponesa, A Paixão (Segundo Nicolau da Viola) entre tantos outros êxitos.



António B. (Moinante)
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-  Edição de 25 maio, 2007 -

 
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“ Um Pedaço De Mim , Um Pedaço De Ti .”

Outono , ao entardecer , vagueei por aí , sem algum rumo ter .
Solitário sem destino , uma rua seguir , dar ao cais do sofrer .
Senti algo no ar , que não sei explicar , fui atraído sem querer .
Era uma sombra a passar , um rasto a marcar , uma imagem de mulher .
Uma fragrância no ar , encheu-me o respirar , levou-me sem eu dizer .
Eu não consigo entender , a razão de estar assim !
O que me foi acontecer !
Não consigo entender !
Toma um pedaço de mim …
Sem dar conta porquê , aquela sombra segui , andei só à deriva .
Fui por becos e vielas , ruas de casas singelas , Senti o cheiro da fada .
No pensamento era mulher , todo homem quer , no meu sonho era diva .
Vi a imagem a pairar , a sombra ali a dançar , só para mim na calçada .
Senti um odor louco no ar , a sensação a crescer , o que a mente cultiva
Eu não consigo entender , a razão de estar assim !
O que me foi acontecer !
Não consigo entender !
Toma um pedaço de mim …
Um pedaço de mim …
De eu tanto correr , sem por onde eu saber , a cabeça à roda andar .
Como não sei dizer , o inesperado aconteceu , ficámos frente a frente .
A minha mente iluminou , sem palavras eu fiquei , é a ti que quero amar .
Olhos nos olhos a cismar , eu não pude evitar , bate teu coração quente .
A sombra envolveu-nos em amor, beijos carícias fulgor , o tempo fez parar.
Eu não consigo entender , a razão de estar aqui !
O que me foi acontecer !
Não consigo entender !
Dá-me um pedaço de ti …
Um pedaço de ti …
Dá-me um pedaço de ti …


"Moinante"

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-  Edição de 22 maio, 2007 -

 
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" ... Sim , Amar ... "



..........................Esculpido ,
..........................sentimento dentro do meu peito.
..........................Perceito ,
..........................amor nunca fingido .
..........................Iludido ,
..........................por isso junto a ti me deito .
..........................Perfeito ,
..........................ouço e não nego o pedido .
..........................Sentido ,
..........................aconchegada no calor do leito .

..........................Deleito ,
..........................as palavras que me dizes ao ouvido .
.....


.................................Tua pele sensual
.................................Teu calor me alimenta
.................................Teu rosto é um vitral
.................................Tua mão me orienta


..........................Deleito ,
..........................as palavras que me dizes ao ouvido .
..........................Sentido ,
..........................Aconchegada no calor do leito .
..........................Perfeito ,
..........................Ouço e não nego o pedido .
..........................Iludido ,
..........................por isso junto a ti me deito .
..........................Perceito ,
..........................amor nunca fingido .
..........................Esculpido ,
..........................sentimento dentro do meu peito .


"Moinante"

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-  Edição de 19 maio, 2007 -

 

« Amar um " filho " , sem ser pai ... »

- ..ROMANCE ..FICÇÃO.. -

.Talvez seja um blog romance .
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Continuação ( XXI Parte , Último Episódio ).

Algures na imensidão do Alentejo ...
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.............Os anos foram passando ao sabor da felicidade . Manelinho , crescia no seio de uma família feliz , traquina , tagarela e sempre risonho , deleitava familiares e vizinhança . Tinha um gosto e um jeito especial para lidar com a bicharada , depois da escola , e de feitos os deveres , corria à procura de Chico , juntos irradiavam felicidade . O “ pai “ , ensinava-lhe a procurar ninhos , a cuidar de passarinhos órfãos , a amamentar borreguinhos acabados de nascer , dera-lhe um cachorrinho , de seu nome “ Pirolito “ , que o acompanhava para quase todo o lado . Juntos “ pai “ e “ filho “ eram o encanto de Vera , os seus olhos luziam de alegria e felicidade , quando os via nas entretengas que juntos faziam …
..........Mas , o infortúnio de novo bateu á porta de Chico e de Vera , depois de muito tentarem ter filhos , Vera não emprenhava . A conselho do médico da sede de concelho , decidiram consultar um especialista na matéria e fazer exames, na capital . Passados largos meses , obtiveram os tão esperados resultados . Vera jamais poderia dar um filho a Chico … Quando nascera Manelinho , as suas entranhas ficaram danificadas , de tal forma , que seria de todo impossível emprenhar de novo .
........Vera , chegada a casa depois de uma viagem inteira a chorar , deu a noticia a seu marido , ele escutou-a com toda a atenção , os seus olhos eram o espelho do desapontamento , mirando Vera , perdeu-se a olhar no vazio , uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto . Manelinho brincava com o “ Pirolito “ no pátio em frente à casa , Chico olhou para ele e falou para Vera :
- Ele está grande e reguila , é tal e qual a cara do teu irmão Custódio . ( limpou os olhos à pressa , para que a sua mulher não visse a sua mágoa , continuando ) - Gosto mesmo dele .
Dito isto , Chico avançou para junto do gaiato , ajoelhou-se á frente dele e chamou-o . Manelinho , correu para ele , adoravam-se , Chico para onde quer que fosse levava-o consigo , nutriam uma paixão um pelo outro , que quem não soubesse diria que eram pai e filho . Chico abraçou-o , lá dentro do seu coração , aquele traquina era seu “ filho “ , ele ajudara-o a nascer , criava-o como se fosse seu . Abraçou-o de tal forma que o moço se sentiu incomodado , Chico apercebeu-se e soltou-o , olhou para Vera e piscou-lhe o olho , ela limpou os olhos , sorriu e compreendendo a atitude do marido , pensou ( - Amar um “ filho “ , sem ser pai ) . Durante o resto do dia , Chico e Manelinho brincaram como se fossem dois gaiatos travessos…
..........Alguns anos depois , e muitos sem nada se saber de Fernando , no decorrer da feira anual da sede de Distrito , Custódio teve conhecimento , através de um amigo que negociava gado entre fronteiras , de que o seu ex-cunhado fora preso . As intrujices e a implicação no assassinato de um membro da Guarda Civil , havia-lhe sentenciado este destino . Mas , ele nada disse a Chico e a Vera , pedindo a quem lhe deu a noticia que nada dissesse por aí , protegendo assim o sobrinho de que alguma vez viesse a ter conhecimento de quem era seu pai , ao que o seu companheiro de conversa acedeu compreendendo os motivos do pedido .
.......Os negócios e as colheitas corriam de feição a Custódio e ao cunhado , juntos trabalhavam e geriam as terras deixadas pelo velho Justino , depois de em tempos passados terem comprado as fazendas do antigo patrão de Chico , que por sinal eram fronteiriças do lado sul , ocorreu um negócio fabuloso , a compra do Monte Barranco e terras pertencentes , situado na mesma região , mas a Este das que eles possuíam , próximo da aldeia . Consumado o negócio , Chico e Custódio criaram , a hoje tão conhecida “ Casa Agrícola De Monte Barranco “ , esta casa gerida pelos dois cunhados , cresceu e floresceu , produzindo de tudo o que as terras podiam dar , cortiça , azeite , vinho , trigo , cevada . Criação de gado , caprino , ovino , suíno , bovino e aves de capoeira .O espírito empreendedor daqueles dois homens , revolucionara os conceitos tradicionais da lavoura , tudo era extremamente bem calculado e planeado e o Tempo foi um excelente aliado deles .
.........Grande parte da população daquela aldeia , trabalhava para aquela casa . Amigos e generosos , Chico e Custódio eram muito queridos da população , não havia família que não tivesse alguém a trabalhar para eles .A vida foi-lhes correndo sem sobressaltos , Vera e Chico vivem em harmonia familiar , a felicidade acompanhou-os durante os tempos que se seguiram . Custódio e Odete, também , com uma filha muito mais nova do que Manelinho , levam uma vida pacata … Passados alguns anos , Manelinho assumiu os comandos do negócio , sendo hoje conhecido por “ Manel do Chico “. Passado tanto tempo , a“ Casa Agrícola De Monte Barranco “ , ainda continua a prosperar …

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Fim

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.Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência


.Moinante = A.J.S.B.


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Próxima Rubrica




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